CÔYSAS DA PAIXÃO [Capítulo #10] – Rearranjando a vida

Mesa de café da manhã posta na mansão da família Dinheireri. Seu José Roberto joga um verde para cima de seu filho.

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: Eu estou pensando em dar uma recepção aqui em casa no fim de semana. Coisa simples. Só pra reunir uns amigos, comer uns canapés de caviar, beber umas tacinhas de champanhe, cheirar umas carreiras de coc… digo… errr… ficar à beira da piscina… e daí por diante.

DR. DINHEIRERI: É uma boa pedida, papai.

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: Meu amigo, o visconde Leopoldo Magalhães Ruy Barbosa de Sá Bornhausen está voltando ao Brasil. E ele vai trazer a filha, Rosa Maria Ruy Barbosa de Sá Bornhausen-Dellacroix. Ela acaba de concluir seu doutorado na Universidade de Viena. Eu acredito que ela possa se tornar uma boa… como posso dizer… companheira para você.

DR. DINHEIRERI: Resumindo, o senhor já quer jogar uma namorada no meu colo.

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: De forma alguma, meu filho! Mas acho que pode ser interessante que você conheça essa moça.

DR. DINHEIRERI: Ela, por acaso, é aquela filha da Joaquina Francisca Montalvão Brookfield de Sá Bornhausen Feijó que vi recém-nascida?

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: Não, não… ela é filha do segundo casamento do visconde Leopoldo com aquela modelo, a Esperança das Neves Guimarães de Sá Bornhausen-Dellacroix Matarazzo.

DR. DINHEIRERI: Papai… a mãe dessa garota tem idade para ser minha filha!

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: Mas não é. E como não é, pode muito bem ser sua esposa, namorada… ou… que não seja nada disso, mas que seja pelo menos uma amiga.

DR. DINHEIRERI: Não estou com pressa para me casar…

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: Pois deveria! Aquela tal de Dona Côysa só vai desistir quando você estiver casado com outra mulher.

DR. DINHEIRERI: Desistir do quê? Ela nem me procurou mais?

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: Mas eu vou procurá-la. Eu não quero nada que é nosso nas mãos daquela desclassificada!

DR. DINHEIRERI: Ah, papai! O senhor vai insistir nisto!?

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: Hoje mesmo entrarei com uma ação na justiça exigindo que ela nos devolva aquele vestido de noiva.

DR. DINHEIRERI: E quem disse que eu quero aquele vestido?

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: Não é pelo vestido, é pela grana! Quero derreter o ouro daquele vestido e usar essa grana pra fazer essa festa que estou te falando.

DR. DINHEIRERI: Então boa sorte. Não vou mais me meter nisso. Vou trabalhar que eu ganho mais.

Dr. Dinheireri sai do recinto e vai trabalhar.

Enquanto isso, no Morro do Rato Morto…

ARTEMÍSIO: E aí, o que achou do cavalo?

CLAUDIÇÃO: É, papai… o pelo tá mais branquinho, tá limpo e tudo mais… mas sei lá…

ARTEMÍSIO: Sei lá o que?

CLAUDIÇÃO: O pelo desse cavalo continua caindo… e ele tá com uma cara meio jururu… será que ele não tá perto de morrer, não?

ARTEMÍSIO: O quê o.O ? Ele não pode morrer antes que eu use ele pra impressionar a minha Coysinha!

CLAUDIÇÃO: Então o senhor vai ter que correr pra aparecer pra tal da Dona Côysa montado nesse cavalo!

ARTEMÍSIO: Gente do céu! Preciso dar um jeito de aparecer na casa da Coysinha amanhã mesmo!

CLAUDIÇÃO: Ô, papai! Desiste disso enquanto é tempo. Olha o jeito como aquela tal de Balneária olhou pro senhor ontem! Tenta alguma coisa com ela!

ARTEMÍSIO: Jamais! Meu amor por minha Coysinha é eterno! É por ela que vou lutar!

E de tarde, à porta da casa de Dona Côysa…
José Roberto Dinheireri aparece ao lado de um advogado. Dona Côysa abre a porta, muito a contragosto.

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: Esse aqui é o Dr. Fernão Romão Rubião da Conceição, advogado da nossa família há uns 50 anos.

DONA CÔYSA: E essa aqui é minha porta de madeira prensada, que eu vou bater na cara de vocês dois.

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: Eu vim em paz, Dona Côysa. Eu quero pedir, educadamente, para que a senhora devolva o vestido de casamento confeccionado com o dinheiro do meu filho.

DONA CÔYSA: Se o senhor quer tanto um vestido, vai o senhor na costureira que ela faz direitinho nas suas medidas. Do jeito que ele tá, ele nem cabe no senhor. Vai rasgar assim que passar por essa sua pança de salame frito!

Dr. Fernão Romão dá uma leve risadinha, logo hostilizada pelo olhar do seu José Roberto. Ele cessa o risinho e entende o recado.

DR. FERNÃO: Se a senhora ofender o meu cliente mais uma vez, nós vamos abrir uma ação contra a senhora.

DONA CÔYSA (irônica): Não vou nem dormir essa noite de tanto medo que eu fiquei!

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: Essa foi nossa última tentativa. Se a senhora não vai devolver esse vestido por bem, terá que devolver por mal.

DONA CÔYSA: Vai caçar tatuí na praia, velho desocupado!

E Dona Côysa bate a porta na cara de seu José Roberto mais uma vez.

A grande surpresa, porém, vem logo à noitinha. Dr. Dinheireri está saindo de uma reunião num centro de convenções, acompanhado de Balneária, agora rearranjada como sua assistente pessoal, e os dois dão de cara com uma cena surpreendente:
Dona Côysa, vestida de noiva, vindo em sua direção.

BALNEÁRIA (espantadíssima): Dona Côysa!

DR. DINHEIRERI: M-m-mas o quê que é isso?

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E agora? Qual será o plano de Dona Côysa? E será que Artemísio vai mesmo insistir? Não perca o próximo capítulo de CÔYSAS DA PAIXÃO.


Mestre Risada Forçada®

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