CÔYSAS DA PAIXÃO [Capítulo #7] – O casamento



ARTEMÍSIO: Você não consegue enxergar a situação? Ela continua louquissimamente apaixonada por mim. Mas como ela já marcou esse casamento e já gastaram tanto dinheiro, ela fica encabulada de desmarcar tudo. Mas, no fundo, no fundo, ela ainda me ama desesperadamente e quer viver comigo aquele grande amor interrompido *_*

CLAUDIÇÃO: Será, papai? Não tive essa impressão não, sabe…

ARTEMÍSIO: Claro que é isso, meu filho! Essa mulher me ama!

CLAUDIÇÃO: Ai, papai… sei não…

ARTEMÍSIO: Preciso fazer uma loucura de amor pra evitar esse casamento de fachada e viver feliz para sempre ao lado da minha Coysinha! *_* ♥ ♥ ♥

CLAUDIÇÃO: Vixe…

Igreja decorada. Lotada. Convidados acomodados. Fotógrafos amontoados. É dia de casamento, bebê! O multi-bilionário Dr. Dinheireri já está com a mão doendo de tanto que acena. Ele e seu pai, José Roberto Dinheireri, esperam pela chegada de Dona Côysa. É o casamento do ano, mas o pai do noivo não parece muito contente.

DR. DINHEIRERI: Você precisa, pelo menos, fazer algum esforço pra ficar com uma cara mais feliz, papai. Não quero que saia nas revistas que meu pai estava com cara de quem não apoia o casamento, por mais que isso seja verdade.

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: Eu estou me esforçando, meu filho. Só Deus sabe o quanto.

DR. DINHEIRERI: Se esforça mais.

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: Mas é que eu realmente não acordei legal. Acordei com aquela impressão de que o dia vai ter algum xabu, sabe?

DR. DINHEIRERI: Vai agourar outro! ò.Ó

JOSÉ ROBERTO DINHEIRERI: Não é agouro, filho. É intuição. E não é das melhores.

DR. DINHEIRERI: Bobagem, papai! Pura bobagem.

Não demora muito para que anunciem a chegada de uma limousine à porta da igreja. Dona Côysa está lá dentro. Marcelino, um dos filhos de Dona Côysa está à porta da igreja, esperando-a entrar para conduzi-la até o altar.

A marcha nupcial começa.

A emoção do momento é profunda. Dona Côysa, emocionada e sob lágrimas é conduzida até o altar, onde seu noivo e o padre a esperam.

PADRE: Irmãos e irmãs. Estamos hoje aqui reunidos para celebrar o casamento dessas duas pessoas já vividas, que querem realizar esse enlace diante do Senhor.

Seu José Roberto Dinheireri continua olhando inquieto em direção ao altar. O noivo chama-lhe a atenção com um olhar.

PADRE: E para impôr valor à decisão deste tão estimado casal, farei agora a pergunta que dá razão à nossa cerimônia. Sendo assim, senhor João Alcaçuz Dinheireri Vaz de Lima, é de livre e espontânea vontade que vós aceitais a senhora Maria de Jesus Côysa da Silva como vossa legítima esposa, para amá-la e respeitá-la na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte vos separe?

DR. DINHEIRERI (sorrindo): Sim!

PADRE: Senhora Maria de Jesus Côysa da Silva, é de livre e espontânea vontade que…

DONA CÔYSA: Tristeza, doença… Aham, aham. Sim, padre. Sim, sim, sim! Sim pra tudo. Pode pular essa parte.

PADRE: Mas, minha filha eu…

DONA CÔYSA: Já disse que sim!

Dona Côysa, no fundo, no fundo, também está numa aflição semelhante à de Seu José Roberto Dinheireri. Ela tem a impressão de que pode rolar alguma chateação bem chateante.

PADRE: Se houver alguém presente que tenha algo contra a realização desse matrimônio…

DONA CÔYSA: Pelo amor de Deus, padre! Pula essa parte!

PADRE: CALA A BOCA, LAZARENTA!

DONA CÔYSA: Nossa, que grosso! Eu só queria agilizar, eu hein… U_U

PADRE: Como eu dizia… se houver alguém aqui presente, que tenha algo contra a realização desse matrimônio…

Voz gritando lá fora.

ARTEMÍSIO: Eu tenho!!!

DONA CÔYSA (no altar): Fudeu!

Dona Côysa se vira de costas e olha para a porta da igreja. Ela vê, então, a cena mais assustadora de sua vida: Artemísio, montado num cavalo branco (branco, mas encardido, note-se) de colete jeans e moletom gritando:

ARTEMÍSIO: Vem ser feliz comigo, Coysinha!

DR. DINHEIRERI (revoltado): Quem é esse infeliz, Côysa?

DONA CÔYSA: Calma amor, eu não tenho nada a ver com isso…

Balneária (gritando, entre os convidados): Eu também não tenho nada a ver com isso, Dona Côysa!!!

MARCELINO: Quem é esse cara, mãe?

DONA CÔYSA: Não interessa… por favor, Artemísio! Vai embora!

ARTEMÍSIO: Eu não vou embora sem você, meu amor! Vem pra eu te fazer feliz!

DONA CÔYSA: Você vai me fazer muito feliz se você for embora… some daqui!

ARTEMÍSIO: Você não precisa mais fingir que ama esse riquinho escroque, meu amor! Vem que eu te dou uma vida inteira de felicidades!

DR. DINHEIRERI: Riquinho escroque? É isso que você pensa de mim, Côysa!?

DONA CÔYSA: Não, meu amor! Isso é o que ele pensa de você. Eu não penso assim.

ARTEMÍSIO: Eu vim pra te libertar dos grilhões desse vilão materialista!

DONA CÔYSA: EU NÃO QUERO!!! (quase chorando) VAI EMBORA DAQUI, SEU ENERGÚMENO!

DR. DINHEIRERI: É exatamente isso que eu vou fazer! Adeus, Côysa!

DONA CÔYSA (desesperada): NÃO, MEU DINDIM! Não estou falando com você. Estou falando com ele!!!

DR. DINHEIRERI: Pelo jeito você tem muito o que falar com ele, não é mesmo?

DONA CÔYSA: NÃO, PELO AMOR DE DEUS!

DR. DINHEIRERI: ACABOU ESSE CASAMENTO! VÃO EMBORA!

Burburinho geral. Convidados vão se retirando pelas portas laterais da igreja (já que a principal está com Artemísio montado em seu cavalo encardido).

DONA CÔYSA: Não vão embora, voltem aqui! Vai ter casamento sim. Vai ter festa, bolo, glacê… parem de ir embora (chorando forte) Balneária, faz alguma coisa!!!

BALNEÁRIA: Eu não tenho o que fazer, Dona Côysa! Agora que a senhora não casou, nem devo mais obediência à senhora… é seu Dinheireri que é meu patrão!

DONA CÔYSA: Traidora!

MARCELINO: Mas alguém me explica o que tá acontecendo aqui!

DR. DINHEIRERI: Marcelino, você tem duas horas pra voltar pra Gibraltar! Vai ter reunião com os investidores chineses e eu EXIJO que você esteja lá!!!

MARCELINO: Sim, patrãozinho! Desculpa mamãe… tudo vai dar certo. Vou lá garantir meu emprego… FUI!

DONA CÔYSA: Oh, perfídia!

ARTEMÍSIO: Sobe no meu cavalo, que eu te levo para ver o mais belo pôr-do-sol da sua vida, meu amor, minha Coysinha.

Dona Côysa, muito fula da vida, começa a se aproximar lentamente de Artemísio. Sua cara é de profundo ódio.

DONA CÔYSA: O senhor, simplesmente, A-CA-BOU com meu casamento!

ARTEMÍSIO: Eu te livrei dos grilhões do…

DONA CÔYSA: E quem disse que eu queria me livrar do meu noivo, hein!?

ARTEMÍSIO: Ora… você, naquele sábado ensolarado, a gente descendo a serra de Kombi indo pra Praia Grande…

DONA CÔYSA: ISSO JÁ TEM MAIS DE TRINTA ANOS!!!!!!!!!!!

ARTEMÍSIO: Mas… mas… nosso amor era eterno =O

CLAUDIÇÃO: Ô Dona Côysa, dá uma chance aí, vai! Eu precisei me prostituir pra comprar esse cavalo pro meu pai.

ARTEMÍSIO: Você o quê? o.O

CLAUDIÇÃO: EMPRESTADO!!!! (sem graça) Dinheiro emprestado… é… peguei dinheiro emprestado pra comprar esse cavalo… hehehehe

DONA CÔYSA: Eu não vou montar em cavalo nenhum… SOME… DA MINHA… VIDA…

Dona Côysa dá as costas para Artemísio e caminha rumo ao altar. Parece que agora, finalmente, ele entende que não tem mais chance com sua “Coysinha”.

ARTEMÍSIO: Filho.

CLAUDIÇÃO: Hãn…

ARTEMÍSIO: Será que eu exagerei?

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Como Dona Côysa viverá agora que não conseguiu casar? Terá ela ainda alguma chance com Dr. Dinheireri? Não perca o próximo capítulo de CÔYSAS DA PAIXÃO.


Mestre Risada Forçada®

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