DEUS ME DIBRE DESSE AMOR [Capítulo #7] – A grande Peleja


Jadice prossegue conversando com a voz no escuro, na saída do estádio de futebol.



VOZ: Você deve me conhecer da televisão… eu fui jogadora, igual você… tempos muito mais difíceis…

JADICE: Então você é a … você é a … não! Não pode ser…

VOZ: Eu me chamo Edsônia Aranda da Encarnação, mas todo mundo me conhece mais pelo meu apelido…

JADICE: PELEJA!!! *_*

Peleja sai do escuro e se revela para Jadice, que quase desmaia de tanta emoção.

PELEJA: Sou eu mesma, tá entendendo!?

JADICE: Mas… mas… é muita honra! Não sei se sou digna de tanto… Jesus, apaga a luz! Não é nenhuma pegadinha do programa do João Glauber!?

PELEJA (fazendo sinal de silêncio): Não faz tanto escândalo! Não é pra todo mundo saber que eu estou aqui, tá entendendo!?

JADICE: Eu entendo sim, Dona Peleja. Mas como posso ter a honra de conhecer você se eu só me lasco nos jogos ultimamente!?

PELEJA: Realmente, menina. O seu futebol é muito do sofrível. Mas o seu jogo de corpo me mostrou desde o começo que tem um diamante bruto aí dentro, tá entendendo!?

JADICE: Estou sim, Dona Peleja *_*

PELEJA: Por isso eu vim até aqui pra te fazer uma proposta. Eu vou te dar um treinamento especial em segredo todo finzinho de noite aqui nesse estádio. Em troca, você me promete que quando você estiver lá no topo, nunca vai esquecer do povo do seu bairro. Tá entendendo!?

JADICE: Sim, sim, sim, Dona Peleja! Aceitadíssimo! E quando começamos!?

PELEJA: Já começou [peleja chuta, de leve, uma bola na barriga de Jadice], tá entendendo!?

JADICE (meio atordoada): OK, então! *_*

E assim começa o treinamento que transformará a trajetória de Jadice.

No outro dia…

Gelinho está ajudando o pai, no caixa do restaurante Cantinho Digoreste. Logo chega uma das belas do bairro, chamada Melissa Joaquina. Gelinho fica ouriçado enquanto Melissa Joaquina se aproxima.

GELINHO: Hmmm… olá, Melissa!

MELISSA JOAQUINA (sorridente): Oi, Gelinho. Tudo bem!? Tá no caixa hoje!?

GELINHO (em pensamento): Claro que eu tô né, sua retardada! Tá me vendo aqui não!?
GELINHO (falando): Hehehe… pois é, né… pai precisou, tamo aí!

MELISSA JOAQUINA: Ai, eu preciso voltar a assistir os jogos de vocês. Do último que eu vi, vocês tavam ganhando de quatro a zero do Atlético de Caixa-Prego. Mas daí eu precisei sair pra buscar minha sobrinha na festinha de aniversário…

GELINHO: Faz parte… mas e hoje, você tem algum compromisso pra depois das cinco da tarde!?

MELISSA JOAQUINA: Bem, eu…

TEOZIN DO COXIPÓ chega bem na hora!: Melissa Djoaquina, não sabia que era você quem vinha!

MELISSA JOAQUINA: Pois é, seu Teozin! Meu pai ia vir, mas chegou um colega dele do exército. Aí eu vim aqui buscar três quentinhas. E ele também mandou o dinheiro pra pagar a pendura do mês passado.

TEOZIN DO COXIPÓ (confere o dinheiro): Cento e cinquenta e dôsh, cento e cinquentei trêsh…

MELISSA JOAQUINA: Hummm… o cheiro aqui já está maravilhoso!

TEOZIN DO COXIPÓ: Canháim! É um açafrão que eu bandiei lá de Poconé pra ponhá nas comida! Tá de comê rezano! Mas e você, que tomou fermento, hein! Tá uma moçona demásh de grandona, né mesmo fio!?

GELINHO (com segundas intenções): Tá ótima. No ponto!

MELISSA JOAQUINA (meio sem jeito): HIHIHIHI… obrigadinha. Mas e então, seu Teozin!? O senhor atualiza o caderninho lá pro meu pai!?

TEOZIN DO COXIPÓ: Mas é pra djá… o Djelinho, meu filho… pega o caderno das minhas anotação aí… é um de capa amarela, ali im riba do fardo de guaraná.

GELINHO: Ué… não tem caderninho nenhum aqui não.

TEOZIN DO COXIPÓ: Verdade! Me alembrei que tirei de lá… tá aí no caixa memo. Abre a segunda gaveta.

GELINHO: É amarelo, né!?

TEOZIN DO COXIPÓ: Isso memo… amarelo… é um caderno brochura.

Imediatamente ao Teozin falar “caderno brochura”, Melissa Joaquina dá uma risadinha. Gelinho fica pálido.

GELINHO: É… parece que eu achei.

TEOZIN DO COXIPÓ: Então pode carimbá.

MELISSA JOAQUINA: Isso… carimba o… CADERNO BROCHURA… e anota aí que tá pago, certo!? Anotou no CADERNO BROCHURA!?

GELINHO (com cara de brabo): ANOTEI ¬¬'

MELISSA JOAQUINA: Certo. Brigada, viu, seu Teozin! Tchau caderno broch… digo, Tchau, Gelinho!

TEOZIN DO COXIPÓ: Tchau, moça bonita! ;-)

Gelinho fica fulo da vida.









Enquanto isso, na casa de Seu Reno e Dona Sangra…

Seu Reno segura a fatura do cartão de crédito e não parece nada contente...

SEU RENO: Sangra, eu vinha ficando calado ultimamente, mas acho que nesse último mês você exagerou. Tá cheio de compra de joias, roupas em maison com nome frescurento, latas e mais latas de caviar... desse jeito não vai dar, não!

DONA SANGRA: Mas você precisa se pôr no meu lugar! Todo santo dia acordo com alguma notícia de fracasso daquele time xexelento, sabendo que você continua patrocinando. Daí eu fico ansiosa e desconto em alguma coisa... no caso, nas compras... hehe.

SEU RENO: Certo... então, se você já comprou tanto assim, não vai sentir falta se eu diminuir o limite do cartão de crédito esse mês, certo!?

DONA SANGRA: NÃÃÃOOOO!!!! PELO AMOR DE DEUS, RENO!!! TUDO, MENOS ISSO!!! ARRUMA UMA AMANTE, MELHOR... ARRUMA DUAS, MAS NÃO DIMINUI O LIMITE DO CARTÃO!!! ಥ﹏ಥ

SEU RENO: Amante!? Hahaha... com que dinheiro, Sangra? ... é cada ideia. Já tá decidido. O limite vai cair! Agora, com licença que agora eu vou a uma reunião com possíveis investidores da Reno Kibes. Se tudo der certo, nossa primeira filial sai ainda esse ano.

DONA SANGRA: Ah, então você não está tão sem dinheiro assim...

SEU RENO: Eu estou TRABALHANDO PARA MULTIPLICAR. Você está torrando. São duas coisas diferentes.

DONA SANGRA: Você também está torrando quando coloca dinheiro da Reno Kibes naquele time ridículo.

SEU RENO (perdendo a paciência e saindo): TCHAU, SANGRA!!!

Seu Reno sai e Dona Sangra se morde de raiva, como sempre.

DONA SANGRA: QUE ÓDIO, QUE ÓDIO!!! ÓDIO DUPLO, ÓDIO TRIPLO, ÓDIO CÊNTUPLO... Ô FIVEEEELLLLYYYYYYYYY!!!!!

FIVELLY (aparece subitamente): Chamou, Dona Sangra!?

DONA SANGRA: Claro que eu te chamei, arroto de Belzebu! 

FIVELLY: Credo, Dona Sangra... =O

DONA SANGRA: Prepara uma pasta de lagosta com caviar e queijo brie, para eu comer com uma torrada de pão de centeio. Depois, sirva sete oitavos de taça com champagne rosé e deixe 4 minutos e meio gelando. Nem 3, nem 5. Tá me ouvindo!? 

FIVELLY: Aí, sim! Essa é a Dona Sangra que eu conheço!

DONA SANGRA: Depois disso, leve de bandeja à minha suite. Estarei lá, na hidromassagem, ouvindo o DVD ao vivo de Silvene & Silândia.

FIVELLY: Não seria mais apropriado ouvir o concerto de valsas de Chopin, Dona Sangra? Combina mais com seu novo status social, sua condição, sua chiqueza...

DONA SANGRA: Mas é uma serviçal muito da abelhuda mesmo, não é? Ora, não se meta nas minhas requintadas preferências musicais! Eu, hein...

FIVELLY: Sim, Dona Sangra... já vou preparar seu pedido...

No finzinho da noite, num botequim na Vila Madalena...

Jeckysson Cleyton bebe uma cervejinha e come uma porção de batatas fritas, quando Gelinho chega.

JECKYSSON CLEYTON: Finalmente, hein Gelinho! Tava com a bunda quadrada de tanto esperar.

GELINHO: Não me interesso pelo estado da sua bunda.

JECKYSSON CLEYTON: Puta grosso do cão! Me chamou aqui pra quê!?

GELINHO: Agora é oficial, Jeckysson Cleyton! Já liguei no terreiro da Mãe Pombinha das Cacimba e marquei uma sessão de descarrego um dia depois do próximo jogo. Ninguém mais vai poder me chamar de "caderno brochura"!  U_U

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Até que enfim! Será que dará certo o descarrego da Mãe Pombinha? E Jadice? Será bem-sucedida no treinamento especial com Peleja!? Não perca o desenrolar dessas e de outras histórias no próximo capítulo de DEUS ME DIBRE DESSE AMOR.

Mestre Risada Forçada®

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